domingo, 30 de junho de 2013


Eu já me perdoei por todos os meus pecados. 
Quero mais é que meus pudores descansem em paz..
(ligia guerra)





Labiata me convidara para um almoço de domingo, estariam mais alguns amigos presentes e ela queria contar uma história.

Conversa vai, conversa vem, em meio a mais uma rodada de vinho, Labiata solta à seguinte pérola:

- Meus dias consomem-se em trabalhar, entristecer e me chapar. E alguns bons momentos de prazer instantâneo e anônimo. E oferece um brinde.

Os amigos já um tanto ébrios brindam e tentam consolar a loba, uns a apoiando outros dizendo simplesmente vire a página, as pessoas tendem a tomar partido de quem está com o coração partido, às vezes até imparcialmente, quem nunca passou por isso, quem nunca sofreu de amor? 

Labiata vivia de amor, respirava amor, suas paixões sempre foram avassaladoras, nada de morno, nada de quieto. E agora não seria diferente. Já era escolada nessa jornada, sabia que aos poucos as coisas tomariam seus lugares, cairiam no silêncio tão habilmente imposto. Mas no estado ébrio que se encontrava era melhor deixar dar vazão ao sentimento, pensaram seus amigos.

- Meus dias consomem-se em trabalhar e entristecer, com alguns momentos de felicidade momentânea, ou uma busca de prazer anônimo. Não queria fazer disso um épico romântico, onde o mocinho ou a mocinha impossibilitados de ficar juntos choram suas odes ao mundo, mas acabaram-se os pudores todos, não chega a ser orgulho nem mesmo insensatez, só aquela sensação de torpor e torpes pelos quais passo os dias. Onde uma palavra, uma frase é mais impactante que a própria vida real.

Acordo com a expectativa de que tudo volte à normalidade, adorava acordar com algum sinal dele, um torpedo, ou até mesmo quando eram 6h da manhã e ele queria bater papo pelo skype, sinto falta de rir junto, de procurar perfis para nossas fantasias, de saber que principalmente queríamos ficar juntos de qualquer forma que fosse. Sinto saudades de nossas manhãs, de nosso dolce farniente, de dormir sentindo o perfume, do nosso sexo básico e enlouquecedor. 

Labiata respira, e pra não pirar pede mais uma taça de vinho. São os detalhes de uma vida pequena, mas muito feliz.

A experiência do final de semana ratificou a Labiata que prazer e amor não andavam de mãos dadas, e nem se interdependiam. Essa certeza com a qual já convivia há quase uma década, uniu-se a sua realidade de mulher madura, sexualmente ativa, mas que já sonhava em sossegar um pouco com um bom dono.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi...que bom q passaste aqui e deixaste tuas impressões, thanks...doces beijos